sexta-feira, 30 de setembro de 2016

MARCAÇÃO POR ZONA

Um calor de lascar, parecia que o inferno tinha mudado para o Guará. Sentíamos na pele não os raios solares, mas as labaredas do fogo das caldeiras do capeta.
Nada restava fazer senão ir no rumo do nosso querido e odiado “Porcão”,onde os gritos do Galak e a comida de Al-Qaeda nos esperavam. Como sempre, preparei o espírito para ouvir um caso do meu inseparável amigo Caixa Preta que pelo semblante tinha muita coisa a contar.


O velho Caixa estava saudoso, resolveu contar uma história do tempo em que ele batia uma bolinha nos campinhos do Guará e o time da moda era o “Mel Cruel”. Levava esse nome porque era formado pelos adoradores de cachaça, cerveja, metanol e o que pintasse e tivesse algum teor alcoólico, reza a lenda que nem “Biotônico Fontoura” era perdoado.
Um dia resolveram participar de um jogo lá no Núcleo Bandeirante contra um time que era treinado pelo Danúbio Martins,pioneiro da Cidade livre,que continua tendo muita influência por lá .Era o time da igreja do padre Roque, o famoso “Apóstolos da Bola”, formado por coroinhas e congregados marianos que dificilmente perdiam, pois os adversários tinham medo de bater no time e ir para no inferno ou serem excomungados pelo padre,que tinha fama de falar diretamente com Deus.
No domingo a esquadra do “Mel Cruel” se apresentou uniformizada com aquelas famosas camisas de propaganda política. A formação era uma verdadeira seleção de cachaceiros do Guará : Dentinho, Macaxeira, Bom Cabelo, Pau Preto e Lamparina, Da Lua e Fubeca; Cafofo, Praga de Mãe, Dirran e Parecido(era muito parecido com gente).
O técnico Macarrão deu as instruções, traçou uns riscos no chão e falou que a marcação era por zona.
Entraram em campo e levaram uma saraivada de 8x0. No final do jogo o padre veio tirar um sarro com a galera, mas fingindo seriedade falou: Bom jogo, mas não entendi porque vocês jogaram com dez jogadores...Faltava um!

Era o Lamparina que, ao ouvir a palavra zona, correu pra lá, deixando o pessoal na mão. O Lampa passou um bocado de tempo longe dos campos de futebol. 

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